Olhei e vi, lá estava ela, a mais bonita de todas, a orquídea no seu cabelo dava-lhe um tom de inocente e sensivel. Os seus risos de ternura ecoavam na sala, deixando todos à sua volta encantados, ok todos não apenas eu, não sei explicar o que senti, seria amor à primeira vista? Todas as hipóteses para um caso amoroso ou um simples encontro foram por água abaixo, percebi que tudo não tinha passado de um sonho, mais um dos muitos que tenho tido nesta vida de adolescente sem rumo.
O meu nome é Guilherme, sou um rapaz alto, moreno, com olhos verdes e com muitos amigos. Pode-se dizer que até sou popular na minha escola, tudo o que um jovem de 17 anos pode desejar. Se estudassem a mente de um rapaz da minha idade veriam que em 95% dos casos tudo o que desejamos são miúdas, popularidade e um bom carro. Por muito estranho que pareça eu sou um dos poucos rapazes que se incluem nesses 5% que restam. Tenho um ponto de vista diferente e interessante. Acho que os rapazes deviam-se preocupar mais com o interior e menos com o exterior. Quando saímos da aula de Educação Fisíca, depois do banho, todos se preocupam em por gel, em esticar a poupa, ou até ajeitar os caracóis. Não digo que não o devessem fazer, acho que todos nos devemos preocupar com a nossa imagem, mas eu próprio dou mais atenção a outros promenores. Tais como o facto de magoar-mos alguém com os nossos actos e palavras, esse tipo de aspectos. Defino-me como um rapaz romântico e com sentimentos.
A minha última namorada chamáva-se Rita, tinha uma estatura média, os seus cabelos eram tão brilhantes como o sol, e tinha os olhos mais profundos e claros que alguma vez tinha visto. Apesar da sua beleza natural me cativar, o que mais me chamava a atenção era o seu sorriso. Bem aberto e com tom de vermelho vivo do seu baton, deixava-me completamente na lua. Um sorriso bastava para curar todas as tristezas e confusões. Nunca esquecerei aquele sorriso.
Sinceramente não me importa se tenho namorada ou não. Estou à espera do amor perfeito, apesar de nada o ser.
O Francisco é o meu melhor amigo, é daquele tipo de rapazes que tem todas as namoradas do mundo. Um dia está com uma, no outro já anda com a outra. Nunca está sozinho. E no que toca a saídas e festas, fiquem a saber não podem contar com ele. Se combinarem alguma coisa para as 9h, já sabem ele só aparece às 10h. Mas a festa continua à mesma. Fora isso é um bom amigo, apoia-me, valoriza-me e está presente, acho que é o essencial.
Fala-se no diabo.
-Hi Gy!
Ah já me esquecia o Chico(Francisco) teve 1 ano a estudar em Inglaterra, por isso é rara a vez que ele não diga uma frase com uma palavra em Inglês, é o habito.
-Olá Chico! O que trazes aí?
-Isto?! São os convites para a minha party. Vai ser de arromba. Toma um, lê.
Abri-o e lá estava escrito:
Se recebeste este convite é sinal que estás convidado para a melhor festa de sempre. Nem te hablites a faltar. Aparece na minha house sexta-feira às 20h.
Ah e não te esqueças que vamos para a piscina.
Obrigado,
Chico.
-Obrigado Chico. Tá quase! - disse eu.
-Sempre às ordens. Já falta pouco.
As festas do Chico são conhecidas por serem as melhores. Estão sempre cobertas de miúdas, cervejas e muita diversão. Os pais do Chico estão sempre fora, por isso imaginem é festas a toda a hora. Mas esta tinha um significado especial era o seu aniversário. Lembrei-me que tinha de ir buscar a prenda para o Chico à loja de CD's do Centro Comercial. Poderia passar por lá depois da escola antes do treino de natação.
Escolhi o preferido do Chico, já à um mês que fala nele, é o novo CD dos Offspring. Tinha a certeza que iria gostar. Custou-me quase a minha mesada inteira, mas não fazia mal ele merecia-o.
O desporto faz-nos bem, mantém-nos em forma, ajuda na saúde, e impede a obesidade. Adoro praticar desporto, é nessa hora que me sinto livre para fazer o que quiser, sem abusar é claro.
O treino de natação foi muito cansativo, mas tinha de me despachar a festa do Chico era às 20h, e já eram 19h25m. Tomei um duche rápido, vesti a minha melhor roupa, perfumei-me, agarrei na prenda do Chico e apanhei um táxi. Já eram 19h50 e eu, ao contrário do Chico, gosto de ser pontual.Toquei à campainha, ninguém respondeu, voltei a tocar uma, duas, três vezes e nada.
Olhei para trás, para ver se poderia estar alguém a chegar, e sim, lá estava ela, a miúda do sonho. Estaria a sonhar outra vez? Não me parecia, era tudo tão real. Trazia um vestido branco que lhe ficava completamente bem, sorria, e continuava com a orquídea no cabelo. Mas o que estaria ela a fazer ali? A miúda dos meus sonhos? De uma coisa eu tinha a certeza, por mais estranho que tudo parecesse, e mesmo que não houvesse nenhuma explicação para este caso, eu Guilherme Guerra estava apaixonado.
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